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...crianças de 2 a 11 anos fazem na internet?

Data: 28/03/2007 - 11h01


O que as crianças brasileiras de 2 a 11 anos fazem na internet?

São Paulo - Pesquisa do Ibope/NetRatings mostra que há 1,5 milhão de crianças navegando na web. Saiba por onde navegam e como protegê-las.

criancas_digitais_88x66Eles reúnem a turma nos comunicadores instantâneos, trocam figurinhas nas comunidades virtuais, jogam bola em rede e conhecem o mundo pelos buscadores. Para mais de 1,5 milhão de crianças brasileiras, de 2 a 11 anos de idade, a internet já deixou de ser apenas um brinquedo novo.

Filhos de uma geração que já não tem medo do microcomputador, os pequenos internautas residenciais brasileiros chegam até a deixar de lado a tela da TV atraídos por ambiente lúdicos, de comunicação, aprendizado e, especialmente interatividade em frente ao monitor.

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“Conheço crianças que, antes mesmo de serem alfabetizadas, conseguem se conectar pelos ícones [dos browsers] aos sites de desenhos animados, identificando os endereços pelo tamanho da URL”, conta José Calazans, analista de Internet do Ibope Inteligência.

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Segundo dados do Ibope//NetRatings, do total de 1,35 milhão de internautas com idade entre 6 e 11 anos, que acessaram a web em casa em fevereiro deste ano, 64% usavam comunicadores instantâneos, 61% acessavam buscadores, 53% portais e comunidades virtuais e 37% usavam media players. De 2 anos a 6 anos, o Ibope informa que não há dados consistentes para avaliar.

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Com uma base de mais de 2,3 milhões de usuários cadastrados na faixa de 6 a 11 anos de idade, 9% dos 26 milhões de usuários no Brasil, o MSN Messenger, da Microsoft, chegou a ser alvo de estudo por aqui.

“Há um ano trouxemos uma antropóloga ao Brasil para estudar o fenômeno do MSN e observamos, por exemplo, que crianças e adolescentes não têm tanta oportunidade de sair como os adultos e acabam transferindo esse canal de relacionamento para o comunicador. É como se fosse o telefone da geração anterior”, avalia Priscila Alves, gerente de marketing e serviços do Windows Live no Brasil.

No lugar do telefone, portanto, os jovens internautas estão pendurados no mouse. Em fevereiro, de acordo o Ibope, os internautas de 6 a 11 anos passaram uma média de 15 horas e 26 minutos conectados, o que não é pouco em relação ao tempo de navegação de todos os internautas residenciais (19 horas e 7 minutos).

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Responsável pela criação do portal Mais Divertido Nestlé - projeto online para crianças, que soma 335 mil cadastrados - Raul Órfão, vice-presidente do IAB Brasil e sócio-diretor da agência Tribo Interactive, acredita que, embora comunicação e games sejam os principais atrativos para os pequenos internautas, é necessário incluir valores pedagógicos e estímulos ao desenvolvimento motor e mental deste público.

“A criança, diferentemente do adulto, não tem barreiras com relação à experimentação no meio. Ela mergulha na proposta e, por isso mesmo, o material desenvolvido tem de ser envolvente e estimulante”, observa o publicitário. “Uma criança chega a ficar entre 20 e 30 minutos dentro do portal brincando com as atividades”, afirma.
Barreiras

Se não for monitorada adequadamente, a ausência de barreiras na infância pode transformar a internet uma brincadeira perigosa, especialmente em uma rede cercada por ameaças como sites de conteúdos adultos, golpes virtuais e assédio de menores.

“É comum adolescentes fornecerem seus dados pessoais sem nem mesmo saberem se realmente aquela pessoa é o que se diz ser”, alerta a advogada Patrícia Peck, da PPP Associados, que lançou recentemente uma cartilha de boas práticas legais na internet para pais, filhos e educadores.

Além de dicas para que as crianças naveguem com segurança, a cartilha aborda os problemas que podem ser gerados para os pais por conta de condutas inadequadas dos filhos em comunidades online, como o uso indevido de uma marca, difamação ou crimes de racismo, por exemplo.

Embora restrita a maiores de 18 anos, a comunidade Orkut, do Google, é praticamente uma unanimidade entre 53% dos internautas residenciais na faixa de 6 a 11 anos, segundo o Ibope.

“De modo a atender ao próprio Estatuto da Criança e do Adolescente seria recomendável que jovens com idade inferior a 14 anos não tivessem suas imagens em comunidades do Orkut. Se o mesmo ocorre, havendo algum dano à criança, o pai poderá ser responsabilizado”, alerta Peck.

Manter as senhas longe do alcance das crianças também é outra recomendação da advogada, lembrando de um problema criado pelo cadastro automático de senhas. “Recentemente, uma criança de 3 anos deu o maior lance num carro pelo site de leilão Ebay. O garoto não sabia o que estava fazendo, mas foi clicando nas teclas até que finalizou a compra. Numa questão judicial, como a mãe, que deixou a senha no automático, provaria que não foi ela que efetuou a compra?”, ilustra a advogada.Para reforçar a segurança do acesso de menores na rede, além de incluir a ferramenta parental Control, em seu novo sistema operacional Windows Vista, a Microsoft criou uma ferramenta gratuita de classificação e monitoramento online dos jovens internautas pelos pais.

Disponível há quatro meses, o Windows Live OneCare Family Safety Beta permite o controle a experiência de acesso por idade com recomendações da Associação Americana de Pediatria. “Basta instalar o software na máquina, cadastrar as contas que terão acesso online naquele PC e definir que tipos de conteúdos serão acessados por cada usuário”, explica Patrícia Alves.

Com a ferramenta instalada, segundo Alves, a criança deve entrar com uma senha para acessar o navegador de forma controlada. Posteriormente, os pais podem se conectar ao Family Safety para avaliar a navegação dos filhos. A versão final do serviço está prevista para o segundo semestre deste ano.

“Acho que os pais estão aprendendo a incluir a internet na educação dos filhos. Assim como recomendam que os filhos não aceitem bebidas de estranhos e não usem drogas, agora devem adotar determinados critérios para a internet”, avalia a executiva da Microsoft.

Patrícia Peck reforça a avaliação e recomenda que o bom senso do ambiente offline deve ser aplicado às crianças conectadas. “Os mesmos cuidados que temos ao sair de casa devemos ter ao navegar”, avalia Peck.
Veja aqui cinco dicas da advogada para que as crianças naveguem de forma legal e saudável:

1)    Não acredite em tudo que está na internet e verifique sempre quem está do outro lado da interface gráfica quando estiver se relacionando on-line, quer seja via e-mail, messenger, blogs, comunidades para evitar más companias digitais e até mesmo exposição junto a criminosos eletrônicos;

2)    Use o bom senso e não faça aos outros o que não quer que façam com você. Como na vida “real”, contenha suas opiniões sobre as pessoas, seja cordial e não as ofenda. Pois ao fazê-lo poderá incorrer nos crimes de calúnia, injúria ou difamação;

3)    Seja cauteloso e proteja sua identidade digital. Ao emprestar a sua senha de acesso se algo acontecer de errado, o primeiro suspeito será você;

4)    Tome cuidado com o plágio, ao apresentar como se fosse seu, um trabalho escolar que foi feito por outra pessoa, você estará violando os direitos autorais do verdadeiro autor;

5)    Quando tiver algum problema ou desconfiar de alguém ou até mesmo quando um estranho tentar falar com você, procure seus pais e abra o jogo com eles.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2007/03/28/idgnoticia.2007-03-27.2041195097/IDGNoticia_view?pageNumber=6

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