São Paulo - Pais de jovens internautas contam como monitoram, incentivam e equilibram o acesso dos filhos com atividades fora da rede.
Embora estimulada a usar a internet, a versão brasileira da “Geração We” - apelido dado pela consultoria norte-americana Iconoculture aos pequenos usuários convergentes e conectados - é supervisionada pelos pais, tem hora para se desconectar e brincar no mundo real.
Rodrigo e Gabriel Coviello, de 13 e 10 anos, conseguiram permissão para usar o MSN há pouco tempo. “O pessoal do prédio fez um motim aqui pedindo deles para eles entrarem. O pai deixou, mas sob a condição de que eles não coloquem fotos, sobrenome e só cadastrarem os amigos” conta a mãe, Iria Coviello, farmacêutica e dona de casa, que está na lista de contatos dos filhos, assim como o marido Paulo, engenheiro.
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O acesso ao PC da casa, compartilhado pela família, tem limites. “Eles só podem usar o computador depois que terminam a lição de casa e a média máxima é de três horas, exagerando”, conta a mãe.
Games de futebol, o jogo online GunBound e vídeos de esportes no YouTube são os endereços certos do caçula, Gabriel, na rede. A TV não perdeu seu espaço no lazer das crianças, mas segundo Iria, há um interesse maior pela internet. “Eles assistem desenhos, por exemplo, e buscam o site relacionado que oferece joguinhos”, observa.
Acesso ao Orkut, por enquanto, nem com motim. “Eles não pediram e não acho legal. São muito novos e há muita gente desconhecida por lá”, avalia Iria, que está sempre na marcação online e offline.
“Não dá pra liberar. Já teve um caso do meu filho menor entrar em um site de conteúdo adulto e eu verifiquei no histórico”, lembra. “Meu marido conversou com ele e disse que seria melhor acompanhar o acesso.”
Diversão além do PC Filhos de um consultor de processos de TI, Lucas, 15 e Álex 10, estão bastante familiarizados à tecnologia. O contato de Álex começou na escola, aos três anos, por meio de jogos educativos e foi incentivado pelo pai, Adonis Fogaça, por meio de CD-ROMs de alfabetização e interatividade. “Ele delirava com isso”, recorda Fogaça.
Seguindo os passos do irmão mais velho e do pai, Álex já domina a rede em um dos dois PCs que ficam no escritório e sala de estudos.
“Ele já sabe instalar programas, usa o MSN ao mesmo tempo em que acessa jogos interativos, que mesclam chat e personagens virtuais. Mesmo sem ter fluência no inglês, Alex se comunica com personagens de outros países”, conta o pai.
Gunbound, Ragnarok e Warcraft são os games online favoritos do filho de dez anos, que também tem um perfil no Orkut, um fotolog e ainda usa a ferramenta online da escola para criar enquetes com os colegas de classe.
Por ter dois computadores em casa, Fogaça observa que a TV ocupa menos de 80% do tempo de lazer dos filhos. A tarefa, portanto, é racionar o tempo de permanência no computador e aumentar o lazer no mundo físico. “Quando o Álex acessa muita coisa simultaneamente fica ansioso e não quer dormir”, observa.
Para controlar a ansiedade, a casa dos Fogaça tem quotas de acesso à internet. “Sexta à noite até domingo, o acesso está liberado, mas se vejo que estão muito tempo na frente do computador, já chego para descolá-los da tela. Sugiro que saiam para jogar com os amigos, ou os levo para passear”, conta.
“Eu era muito da ‘geração rua’, tinha instrumento musical, acampava, jogava bola etc. Mas não há como isolá-los da internet”, avalia. “É impressionante ver meu filho mais velho discutindo comigo assuntos como o aquecimento global e o comportamento do [presidente norte-americano George W.] Bush, que ele buscou na internet.”
O monitoramento do acesso dos filhos, na casa dos Fogaça, é praticamente uma auditoria, brinca Adonis. “No próprio antivírus tenho como bloquear determinados sites. Além disso, pelo conhecimento em informática, observo os logs de acesso”, revela o executivo de TI.
Mesmo com auditoria, Adonis afirma ter consciência de que os filhos podem esbarrar em conteúdos impróprios entre um clique e outro. ”Eu e minha esposa trabalhamos muito forte nesta orientação, demonstrando que confiamos neles. Acho que a proibição pode estimular [o acesso indevido]”, avalia.Assim como Álex, o jovem Felipe teve o primeiro contato com o computador na escola. Antes mesmo de saber ler e escrever, ouvia o que a mãe digitava e ditava suas mensagens no comunicador instantâneo para conversar com o pai, quando viajava. Hoje, prestes a fazer oito anos de idade, o jovem internauta conversa com os amigos da escola pelo MSN, encontra mesma turma no Orkut, onde possui perfil há mais de um ano, acessa joguinhos nos sites do Cartoon Network, da Turma da Mônica e ainda ajuda a criar os avatares dos amigos na comunidade virtual
NeoPets.
Fascinado pelas comunidades virtuais e sabendo que o pai já teve um site de cinema, no ano passado, Felipe resolveu pedir um site de presente. "Tentei sugerir um blog, mas ele insistiu que não queria blog não. Queria um site parecido com o 'dos pinguins' - referindo-se ao NeoPets", lembra o jornalista Claudio Ferreira, autor da coluna
Panorâmica.com, no IDG Now!.
Para Ferreira, o computador é uma ferramenta complementar à educação de Felipe, começando por CD-ROMs educacionais. Exceto uma pesquisa ou outra na rede, a lição de casa está nos livros didáticos tradicionais. E é só depois de terminar a tarefa, que o pequeno navegante pode mergulhar na rede.
O tempo também é limitado - uma hora por dia - e o acesso monitorado. "Fico sempre por perto e às vezes sugiro um site para ele. Outras vezes ele me chama para mostrar algo no computador", diz o jornalista.
Ferreira confessa não ser muito favorável ao uso do Orkut, mas não teve como proibir porque tanto ele como a mãe de Felipe, Andréa tinham perfis no site de relacionamento. "É um ambiente onde as pessoas se expõem de forma desnecessária, mas não acho legal proibir o acesso porque o Felipe é muito pequeno ainda, não adiciona pessoas que não conhece", pondera.
Enquanto não cria sua própria comunidade virtual, o exigente internauta já dividiu com o pai a vontade de fazer uma revista e de formar uma banda, com seus respectivos sites, naturalmente. No momento, com tantas idéias na cabeça e um mouse na mão, Felipe reclama um pouco da infra-estrutura de tecnologia quando está na casa do pai. "Ele diz: Pai tá demorando pra caramba! Depois olha novamente para o computador, olha pra mim e completa: Esse computador é velho né?".
Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2007/03/27/idgnoticia.2007-03-27.9355271720/IDGNoticia_view?pageNumber:int=4